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Lisboa :: PS

análise de Virginia Coutinho, em 10.07.13

QR Costa

 

Antes de partir para a minha primeira análise neste blogue, não posso deixar de agradecer o simpático convite dirigido pelos meus colegas.

 

Como praxe coube-me a análise da campanha de António Costa, uma das figuras de destaque destas autárquicas, não fosse ele o candidato mais forte à Câmara Municipal de Lisboa.

António Costa é presidente da Câmara Municipal de Lisboa desde 2007, tendo sido reeleito em 2009, por maioria absoluta. A campanha de 2009 foi aqui  e aqui analisada e, na minha opinião, foi francamente melhor do que a campanha com que se apresenta este ano.

 

A campanha de 2009 estava graficamente bem conseguida ao contrário do que verificamos hoje nos outdoors que têm “adornado” a nossa capital.

 

Algumas comparações com a campanha de 2009:

  • Tendo em conta a campanha de 2009, António Costa continua a apostar no verde, cor que geralmente reflecte tranquilidade e crescimento, embora numa tonalidade menos viva e  jovem. O verde remete ainda para o conceito "alfacinha".
  • Na campanha deste ano assina como “António Costa 2013”, em 2009 como “António Costa Presidente”. Na minha opinião é um erro não continuar a assinar como tal.
  • O conceito da campanha de 2009 era “Unir Lisboa”, o conceito de 2013 “Juntos Fazemos Lisboa”, ou seja, a mesma ideia, diferentes palavras.
  • Nos materiais de comunicação da campanha de 2009 e na de 2013 são comunicados URLs. Na de 2009, o www.antoniocosta2009.net dá ênfase ao candidato (e ocupa apenas uma trigésima parte do outdoor). Na campanha de 2013 o URL www.juntosfazemoslisboa.pt ocupa um oitavo do outdoor.

 

Conclusões: campanha de 2009 a ganhar.

 

 

As considerações sobre esta campanha não se ficam por aqui...

 

António Costa é um político com boa figura. Por “boa figura” entenda-se uma pessoa com quem os votantes facilmente se identificam e por quem criam empatia. Nem todos os políticos têm a sorte de ter esse ar sereno e amistoso que leva votos às urnas (que o diga o nosso Presidente da República cuja aparência é, sem dúvida, associada a uma pessoa austera). Assim, parece-me um desperdício que essa presença não seja aproveitada nos materiais de comunicação.

 

Guiar a campanha por um conceito poderá ser um bom caminho mas este conceito nada traz de novo quando comparado com as imensas campanhas espalhadas pelo país de “Unidos por x”, “Todos por Y”.

 

Graficamente o cartaz é muito pobre... o fundo branco, com “aguarelas” verdes, num skyline cinzento da cidade de Lisboa, que parece espelhar o estado do país... Uma combinação fatal!

 

“António Costa 2013”, um dos elementos que deveria ter destaque, é facilmente perdido no cartaz: pedimos para lerem “Participe” (que ocupa um lugar de destaque no cartaz, não sendo um apelo diferenciador), um URL (do website da campanha) e um QR Code, antes de chegarmos ao nome do candidato, ali escondido juntamente com o seu partido.

 

Um outro elemento com protagonismo no cartaz é o QR Code. O QR Code é um código de barras em 2D que, quando decifrado por uma aplicação própria, nos irá direcionar para um endereço na web. Neste caso, este QR Code direcciona para o Youtube da campanha. Um QR Code num outdoor não é a melhor opção: existe uma grande dificuldade em lê-lo, mesmo que estejamos a passar pelo outdoor a pé (existe já a piadinha de que deveriam ter colocado escadotes ao pé dos outdoors).

 

A presença dos QR Codes é constante noutros meios, como o website. Ao submetermos uma sugestão,  aparece um outro QR Code para ser decifrado. Regra número 1: Não se colocam QR Codes num website, simplesmente não faz sentido pedir aos utilizadores para pegarem no seu telemóvel, lerem o QR Code, quando podem simplesmente clicar num link.

 

Nesta campanha, António Costa apostou em vários meios online, os quais analisarei num segundo artigo. Esta parece-me uma tentativa de fazer uma campanha “à La Obama” mas penso que, para já, está muito longe de estar à altura.

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publicado às 09:45



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Compilação e análise de imagens das Campanhas Portuguesas (e não só). Cartazes, folhetos e materiais digitais (e outros). O melhor e o pior. Os verdadeiros e não só.

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