Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Felgueiras :: CDS, PSD e PS

análise de Carlos Furtado, em 02.08.13

Felgueiras entrou para a alta-roda da política portuguesa por duas más razões. A primeira, pelos processos, fuga e regresso da sua "presidenta" mais emblemática: Fátima Felgueiras. A segunda, pelos "sopapos" que Francisco Assis recebeu quando era presidente da distrital do PS porto e tentou impor uma candidatura que não a da "Fatinha".

Em 2001, Maria de Fátima da Cunha Felgueiras Almeida de Sousa Oliveira venceu, pelo PS com 53%. Em 2005, vence igualmente mas com a capa do movimento XVII, para em 2009 debaixo de outra capa desta feita chamada MSP, para ver o post do Nuno Gouveia de 2009 clique aqui,

Movimento Sempre Presente, ver a câmara ser conquistada por José Inácio Cardoso Ribeiro, ao serviço da coligação PSD/CDS.

E agora em 2013 Fátima Felgueiras abandona pois, pasme-se, diz que a política está sem grandeza e como tal não se sente motivada. Mas seria bom lembrar que grande parte dos seus apoiantes regressou ao PS.....

Esta união do PS é o grande motivo de alteração do equilíbrio de forças existente no concelho, mas o facto de o CDS não ter continuado na coligação que governa Felgueiras e ir apresentar uma lista própria, irá também contribuir para desequilibrar os pratos da balança. Pois os poucos mais de 1% que habitualmente o CDS alcança podem ser fundamentais no resultado final. Fazendo umas contas de merceeiro, e com base no último resultado autárquico de cada um, teríamos que o PSD aponta para 46%, o CDS pelos 1,8% e o PS 44%. Ou seja, luta renhida é o que se prevê, pois qualquer mudança de voto é significativa.

 

Mas indo aos cartazes, comecemos pelo do PS. 

Interessante escolha de cor, fugindo do vermelho que seria o lógico numa candidatura socialista, do azul do cds que é usado até pelo bloco de esquerda, apostando num verde que não sendo o do vinho verde da região, é facilmente distinguido no “ruído” que pululam nos nossos concelhos. Eduardo Bragança não precisa de apresentação, e estou em crer que o próprio não se candidataria a Olhão e que os seus cartazes estão apenas colocados em Felgueiras, mas repare-se que não há qualquer referência ao cargo ao qual se candidata nem mesmo ao concelho do qual diz estar perto. A simplicidade foi talvez um pouco longe. Mas eu gosto. É simples e directo. A fotografia é que penso ter sido pensada para ser colocada no lado direito do cartaz, e ao ter ficado onde ficou tem o olhar dirigido para fora da nossa atenção. É pena pois assim estraga a nota “artística”. O fundo com pessoas é bem conseguido, transmitindo uma proximidade com as pessoas, fundamental numa eleição autárquica.

 

Agora o PSD.

Inácio Ribeiro é o presidente e como tal parte com dupla vantagem. É conhecido e tem obra para apresentar. Daí a estratégia de campanha que implementou. Complementar entre si, estes dois cartazes pecam graficamente. Este com a obra feita é muito confuso.

Além de que a utilização da criança não é brilhante. Ela aparece triste, com o olhar baixo como que tendo cometido alguma asneira da qual se penitencia. E no lado direito do cartaz as criancinhas fugiram? E porque temos um degradé entre o verde e o laranja? Este seria um cartaz típico do bloco e do pcp. Mas já nada é como dantes, e hoje em dia a procura da melhor forma de passar a mensagem levou a uma quebra de tabus.E o carimbo "cumprimos" deveria estar do lado direito, dando mais força ao que efectivamente fez e nao a meio, dando a ideia de que também em 2009 a responsabilidade era dele.

 

Em relação a este segundo, 

em que Inácio diz ser um presidente amigo, gostava de saber de quem. Eu sei que ele sabe que os felgueirenses sabem quem ele é, mas nem uma referência ao concelho? E porquê a área branca com um desenho que pretende simbolizar duas mãos “amigas” a entrelaçarem-se? E para onde olha Inácio? E uma vez mais as crianças? Esta mania da utilização das crianças para angariar votos pelos vistos é contagiosa. E perigosa diria eu. E sobre uma foto azul que nem é azul nem é cinza. O simples sempre foi a melhor arte. O slogan é uma continuidade. Em 2009 era "nova esperança" e agora "Manter a esperança". Embora dê continuidade na mensagem, estou em crer que deveria ter optado por algo mais afirmativo para quem é presidente em exercício.

 

E chegamos ao CDS.

Assim numa primeira leitura sabemos que o cartaz é para as autárquicas de 2013. É bom saber, pois poderíamos estar equivocados. Aqui temos um cartaz simples. Mas não quer dizer que bem construído. Uma vez mais a referência ao concelho está esquecida. Apenas num breve apontamento no endereço de facebook que não é sequer da candidata mas do cds local, e mais a mais é uma página pessoal e não de comunidade ou política. Mas isso deixo para a Virginia. Admito que a capacidade financeira da campanha não seja muita, até porque os objectivos serão seguramente baixos, e como tal atrevia-me a dizer que deveria ter sido mais ousada e ter apresentado propostas concretas. Conhecimento, trabalho e empenho é curto para quem precisa de se posicionar e cativar alguns votos. Não apostou em nenhum nicho em especial, atira sem ter um alvo definido. E como tal, dificilmente terá caça no seu alforge. Bem, nem vou falar na onda. Quem me dera ter a patente da onda nos cartazes. Ficava rico.


Assim a modos de campeonato de cartazes em Felgueiras, dava o primeiro lugar ao do PS, deixando ao caro leitor a tarefa de ordenar os restantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:25


Porto :: BE

análise de Rodrigo Saraiva, em 02.08.13

O Bloco de Esquerda no seu início, dando seguimento ao que se conhecia do PSR, tinha campanhas originais, disruptivas e atrativas. Nos últimos anos têm perdido esse fulgor. Por isso foi com agrado que me deparei com a campanha de José Soeiro, candidato que o Bloco apresenta no Porto.

E acho que pela primeira vez não vamos analisar a imagem e totalmente o conteúdo, pois trata-se de intervenções artísticas. O importante para analisar é a opção de terem sido envolvidos 7 artistas da cidade, sendo que cada um fará um “cartaz” directamente em cada um dos 7 outdoors que serão colocados pela cidade do Porto.

Foto e info tiradas daqui.

Disse que não analisaria o conteúdo no total, pois há dois elementos a referir. Um é o slogan, que parece ser o da candidatura, “reinventar a cidade”, uma opção que encaixa muito bem no conceito da campanha. O outro é o slogan que deve ser apenas o deste cartaz e que puxa por uma temática que será preocupação directa de parte do eleitorado: “tanta gente sem casa, tanta casa sem gente”. Um slogan “musical”, que não é original e é encontrado em outro tipo de “intervenções”, bem mais discutíveis da suposta pertinência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:28


Barreiro :: PSD

análise de Telmo Carrapa, em 01.08.13

Não fosse o fundo branco…

O Barreiro não é terreno para vitórias eleitorais autárquicas do PSD. Nunca o foi e nas últimas três eleições (cujos resultados oficiais consultei na CNE para esta introdução) o Partido foi sempre a terceira força no Concelho, dominado essencialmente pelo PCP (ok, pela CDU…), com excepção de 2001, quando a lista do Partido Socialista, liderada por Emídio Xavier, conquistou a Câmara com 41,27% dos votos (contra 40,27% da CDU).

O PSD obteve nestas três eleições 10,44% (2001), 11,20% (2005) e 9,01% (2009 – cujas campanhas analisámos aqui e aqui), com a particularidade de ter eleito sempre um Vereador que, pelo que sei, aceitou sempre pelouros. Aliás, em 2005 foi cabeça de lista e Vereador o actual candidato – Bruno Vitorino.

Este ano, apesar de, sejamos sinceros, não ser um ano fácil para candidatos autárquicos do PSD, devido à conjuntura sociopolítica do país, este partido pode tirar partido (passe a redundância) de uma aparente cisão no PS local, como se pode ler aqui e aqui.

Sabendo desta oportunidade, o PSD do Barreiro já colocou a sua campanha de outdoors na rua (não sei se os outros partidos já o fizeram, pelo que se sim, para não ser parcial, agradecia que fizessem chegar ao endereço do Blog imagens das mesmas).

 

 

Como Bruno Vitorino não é um estranho no Concelho, antes pelo contrário, a campanha não precisou da fase de afirmação única e exclusiva do candidato e, a meu ver bem, passou logo para uma segunda fase, a das propostas concretas. E, pelas imagens recebidas, sob a assinatura “Dar Futuro ao Barreiro”, o PSD aposta em mensagens claras.

A imagem, pese não entender a moda Verão Autárquico 2013, de colocar fundos brancos nos cartazes, parece-me razoavelmente bem concebida. Em relação ao fundo branco, parece que as campanhas que aderiram à moda se esqueceram que Portugal é um país solarengo e que uma mancha branca sob a luz do sol pode ferir o olhar, mas isso sou eu que, pelos visto, devo ser fotossensível que acho…

Mesmo assim, o Bruno Vitorino é moreno o suficiente, para além de ter uma camisa que contrasta para se destacar no cartaz. Já vi por aí cartazes brancos que os candidatos se fundem no cenário, dando uma sensação de assombramento – de tal forma que já ouvi dizer que os políticos andam a assombrar, ainda mais, o país…

A foto está boa, mostrando um candidato jovem, informal mas dinâmico (sim, as coisas que uma pessoa consegue ver numa simples foto…) e o equilíbrio entre foto, mensagem e logos (esta é outra moda deste Verão – mais que um logo) é conseguido.

Em relação às mensagens, gosto particularmente da “Derrubar muros ideológicos – Atrair investimento privado para criar emprego”. Mas, na minha opinião, todas as que vi são suficientemente fortes para fazer pensar, o que, numa campanha eleitoral, já é bom. Já a assinatura “Dar futuro ao Barreiro”, que por si só seria mais uma frase feita, no enquadramento das outras mensagens, ganha significado.

Resumindo, não fosse a adesão às duas modas “Verão Autárquico 2013” e acho que estamos perante uma campanha que poderá elevar as aspirações a resultados dignos numa região e Concelho difíceis para o PSD.

 

Nota pessoal: Já li alguns comentários, quer aqui, quer no Facebook, que a análises das campanhas (sobretudo as positivas) “pois é boa mas será que vai dar para ganhar as eleições?”. Não, não dá. Por si só não dá. Mas aqui analisamos as “IMAGENS de Campanha”. Não as campanhas no seu todo. E quem não sabe a diferença entre estas duas realidades, não está a ler o Blog certo… E se os outdoors (peças mais analisadas aqui) não são a garantia de eleição – e não são – não deixam de dar uma imagem da dinâmica de toda a campanha. E essa sim, pode dar resultados melhores ou piores.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:00


Mondim de Basto :: CDS-PSD

análise de Virginia Coutinho, em 01.08.13

Mondim de Basto é um município do distrito de Vila Real com cerca de 8 mil habitantes e tem um interessante passado (e presente) político.

Este é um concelho maioritariamente de direita. O CDS venceu as autárquicas de 1976 a 1997. A última vitória do partido foi conseguida por Fernando Pinto de Moura que, ao mudar para o PSD, em 1997, levou consigo a vitória! As eleições de 2005 foram já renhidas e este candidato venceu por uma diferença de apenas 31 votos (PS em segundo lugar). Na verdade, Fernando Pinto de Moura venceu e ocupou o cargo de presidente do concelho durante 6 mandatos consecutivos, 1 pelo CDS e 5 pelo PSD!

 

Em 2009, Fernando Pinto Moura foi substituído por Fernando Gomes Ribeiro para encabeçar o PSD. O PSD estava dividido e os votantes não se reviram neste novo candidato, o que levou o PSD a perder as eleições, alcançando apenas a terceira posição. Isto é, PS saiu vencedor com 38,95% dos votos, seguiu-se o CDS-PP com 30,12%, encabeçado por Lúcio Machado, e o PSD  em terceiro lugar com 27,44% dos votos.

 

CDS e PSD  alternaram o poder até 2009 e, para estas autárquicas, estes partidos criaram uma coligação! São os materiais gráficos desta coligação que serão analisados:

Nos outdoors temos Lúcio Machado, professor e investigador na Universidade do Minho, empresário, a representar o CDS-PP e Aurora Peixoto (militante do PSD), indicada para Vice-presidente. Penso que as fotografias são adequadas e reflectem a hierarquia, mas não deixam de passar a mensagem que estão lado a lado, trabalho em equipa. Talvez tentasse suprimir ligeiramente a diferença de alturas, uma vez que estão “juntos”.

 

O slogan da campanha “JUNTOS pela nossa Terra” dá ênfase à coligação dos dois partidos. A assinatura (parte da “nossa terra”) é também um recado ao actual Presidente, uma vez que este é natural de Ponte de Lima. Não posso afirmar que seja uma assinatura diferenciadora, mas é bastante feliz atendendo ao que está por detrás.

 

Nos materiais de comunicação é usada a cor verde. Tinha já referido, em discussões com os restantes colegas, que esta é a cor destas eleições! PS usa Verde, PSD usa verde, CDS-PP usa o verde, e as coligações também... esta tem sido uma cor escolhida como alternativa à cor dos seus partidos. É a cor da esperança!

 

O logótipo da coligação tem pouco contraste com o fundo verde e, embora indiquem que estão no Facebook e no Twitter, não são colocadas nenhumas referências às redes sociais.

Pessoalmente também não sou fã da barra azul a dividir o outdoor.

Num geral, o cartaz é simples mas parece resultar e penso que a coligação de partidos, até aqui rivais, também resultará.

 

Por fim, analisarei duas faces de um outro suporte publicitário. Uma opção interessante, de 4 faces, colocada numa rotunda, conseguindo assim impactar as pessoas que chegam das várias direcções.

Neste exemplo, onde consta apenas o candidato a presidente, verificamos novamente alguns dos pontos mencionados acima. De realçar que nesta fotografia o candidato tem um ar (e roupa) muito mais descontraído, no entanto o fundo branco com a camisa branca não são, na minha opinião, a melhor escolha.

 

O gradiente de cor nas letras torna a leitura difícil, bem como o pouco espaçamento entre linhas. Conclusão: no geral acho que não está muito bem conseguido.

  

Esta outra face em tudo se assemelha ao outdoor que acabámos de analisar. Não me choca que o candidato tenha um visual diferente em vários formatos no entanto parece-me pouco coerente ter numa face o candidato formal de fato e gravata e numa outra face de “mangas arregaçadas” e com um visual informal.

 

A análise na aposta online ficará para um novo artigo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:13

Pág. 9/9



Imagens de campanha

Compilação e análise de imagens das Campanhas Portuguesas (e não só). Cartazes, folhetos e materiais digitais (e outros). O melhor e o pior. Os verdadeiros e não só.

Envio de contributos

imagensdecampanha@sapo.pt






Pesquisar

Pesquisar no Blog  


subscrever feeds