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Guarda :: PS, PSD/CDS e 2 "independentes"

análise de Rodrigo Saraiva, em 05.08.13

Já várias vezes aqui referenciei a importância das capitais de distrito para as contabilidades feitas nos balanços de eleições, também as autárquicas. Por isso a Guarda tem a relevância que tem. A cidade dos 5 F’s tem sido um forte reduto do PS, que a preside desde 1976, com destaque para Abilio Curto que depois de eleito vereador em 1976, ano em que assume a presidência, foi eleito presidente em 1979 tendo apenas saído em 1995, depois de polémicas e processos judiciais.  

O actual Presidente, Joaquim Valente, que sucedeu a Maria do Carmo Borges, decidiu não se recandidatar a um terceiro mandato, o PSD, em coligação com o CDS, faz uma aposta aparentemente forte, candidatando Álvaro Amaro, que presidiu a Câmara de Gouveia nos últimos 3 mandatos. Poder-se-á então dizer que caso o Tribunal Constitucional tome uma decisão que impeça esta candidatura que o cenário na Guarda ficará confuso. Não é preciso dizer nada disso. O cenário já está uma verdadeira salada. Não sei qual a correlação de forças, nem impacto junto do eleitorado, mas visto à distância isto até divertido.

Ora vejamos. No PS, Virgilio Bento, vice-presidente durante 8 anos do actual presidente, queria ser candidato, mas em sufrágio interno no PS perdeu para José Igreja, indigitado candidato. Virgilio Bento não desiste e lança-se como candidato independente (entretanto vê o presidente de Câmara retirar-lhe os pelouros), numa candidatura que se assume quase bicéfala tendo a seu lado Manuel Rodrigues. E quem é Manuel Rodrigues? Era o presidente do PSD local e que queria ser candidato à Câmara, tendo sido ratificado pela concelhia, mas não pela distrital.

E eis uma candidatura “independente” de “bloco central”.

E para que o cenário não fique assim tão simplificado, para além destas 3 candidaturas, há ainda que contar com as da CDU e Bloco de Esquerda e … outra candidatura independente. Ora pois. Baltasar Lopes, actual presidente da Junta de Aldeia Viçosa e ex militante do PSD, decidiu ser candidato. E até fala em “forças ocultas” que o querem prejudicar.

 

Depois deste enquadramento, passemos à análise dos materiais que nos chegaram, sendo que 3 deles são praticamente de marcação de terreno.

O PS surge com um cartaz (infelizmente a foto que nos chegou não tem grande qualidade) simples, bem trabalhado graficamente, que não compromete. Um slogan que pretende demonstrar vontade de fazer, mas sobretudo marcar diferença pelo candidato do PSD/CDS, afirmando indirectamente que este não é da Guarda. As letras podiam estar maiores, pois o cartaz fica com imenso espaço livre, o que daria mais força. A fotografia embora com qualidade é a parte que menos gosto pois o candidato está numa pose demasiado firme, quase preso. Parece ser um candidato a quem é difícil tirar um sorriso, pelo que a postura/posição deveria ser outra. Aquele “Por Si” reforça uma ideia de altruísmo que o slogan principal também transmite e a forma de “escrita à mão” é um detalhe que dá um toque pessoal interessante no cartaz.

O cartaz da coligação PSD/CDS também não compromete, nem surpreende. Está bem trabalhado graficamente, gosto da opção de fundo, e puxa mais pelo candidato que o cartaz do PS. A fotografia está bem conseguida e embora o candidato esteja igualmente sem sorrir, esta opção de foto e o estar sem gravata acaba por resultar bem melhor que o do PS. O slogan peca por poder ter leitura dúbia. O futuro depende de quem? Das pessoas da Guarda ou da candidatura? Tenho dúvidas da necessidade do logótipo da coligação estar com tanto destaque. É certo que traz mais cor e movimento ao cartaz, mas parece-me excessiva a dimensão.

Passemos agora aos cartazes das candidaturas ditas independentes.

“A Guarda primeiro” … um slogan que faz todo o sentido como posicionamento desta candidatura tendo em conta o enquadramento. Um cartaz simples e que poderia estar bem melhor se não tivessem colocado aquela barra, tipo filtro, em baixo. É mais um cartaz de marcação de terreno e de afirmar a presença. Nas fotografias o candidato do lado direito podia ter acompanhado o outro no ligeiro sorriso.

“Juntos Pela Guarda”, que podia também ser o slogan da anterior candidatura, é como se apresenta Baltasar Lopes. Vou tentar não ser tão incisivo como alguns dos meus companheiros em algumas análises, apenas referir que 5 tipos de lettering é demasiado, as mãos dão um ar de igreja e mais um cartaz que entra para a contabilidade das barras em forma de ondas. Prefiro neste cartaz pegar num pormenor para mais uma vez destacar que para além da concepção do cartaz em si é importante ter cuidado nos suportes escolhidos. Isto porque neste caso prenderam o cartaz já impresso às barras de suporte, fazendo com que os “pregos” fiquem à vista e logo um deles ali bem saliente no queixo do candidato, qual verruga.

Bem, veremos o que nos reservam os próximos cartazes e qual será o veredicto dos eleitores.

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publicado às 15:07



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