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o que fazer com materiais de campanha depois da campanha

análise de Rodrigo Saraiva, em 14.10.13

Uma ideia e iniciativa interessantes, noticiada hoje no Público.

Fica o apelo para acções similares ou para colaborarem nesta.

Cartazes das autárquicas com bilhete para a Guiné em formato solidário

Associação humanitária da Feira lançou campanha de recolha de material da campanha e Menezes e Nuno Cardoso já contribuíram. Material será transformado em mochilas, tendas e sacos para arroz.

A campanha de recolha de outdoors está centrada sobretudo no Norte. A ideia surgiu, vontades e necessidades encaixaram-se e nesta campanha não interessam cores políticas, rostos ou slogans. Uma associação humanitária e uma agência de comunicação estão decididas a aproveitar as telas dos cartazes das últimas eleições autárquicas, que deixaram de ter utilidade política e pública, para que sejam transformadas em tendas, mochilas e sacos para arroz que viajarão para a Guiné-Bissau. As lonas dos outdoors serão também reaproveitadas para cobrir casas, escolas e hospitais guineenses, como protecção para a época das chuvas que se fazem sentir no país africano.

O desafio está lançado aos partidos políticos e movimentos independentes e a recolha do material já começou. As candidaturas de Luís Filipe Menezes (PSD), Nuno Cardoso (independente), Bragança Fernandes (PSD), Jorge Junqueiro (PS), Eduardo Cavaco (PS), já disponibilizaram o seu material, que está a ser recolhido e transportado para um armazém cedido pela Câmara da Maia.

Esta campanha humanitária, apartidária da cabeça aos pés, tem vários degraus. Por uma questão logística, a menos que os partidos suportem os custos de transporte, a iniciativa está concentrada no Norte do país. Depois do material recolhido, há lonas que serão levadas para Bissau em bruto, as que servirão de cobertura ou como oleados, e outras que têm de ser transformadas em mochilas, tendas e sacos. Nesse sentido, estão a ser feitos contactos com empresas têxteis para que assumam essa tarefa. A associação humanitária Viver 100 Fronteiras, com sede em Fiães, Santa Maria da Feira, não tem verbas disponíveis para garantir esses ofícios, e tratar dessas tarefas na Guiné não é fácil. A possibilidade dos próprios partidos políticos assumirem as despesas de transformação desse material, ainda em Portugal, é uma hipótese não descartada.

Tudo recolhido, é preciso encher um contentor com o material. Um contentor com 40 pés, que transporta 32 toneladas, custa cerca de 3000 euros para chegar à Guiné-Bissau. Mais uma despesa que poderá ser assumida por uma empresa, um particular, algum amigo da associação humanitária, ou quem quiser contribuir. Na última sexta-feira, o Fórum da Maia acolheu um espectáculo para angariação de fundos para a Viver 100 Fronteiras pagar as despesas de envio de dois contentores com materiais de construção para a requalificação de uma escola e reconstrução de um centro de saúde em Geba, em Bafatá, no interior do país. Se as verbas ultrapassarem o esperado, um contentor com o material político poderá seguir para África ainda este mês.

Natália Oliveira, presidente da Viver 100 Fronteiras, organização não-governamental (ONG), parte esta semana para a Guiné-Bissau e percorrerá o país até ao Natal para distribuir dois contentores que já seguiram com material hospitalar, alimentar e escolar. A nova missão que envolve o material de campanha política é, na sua opinião, “uma mais-valia, principalmente para quem recebe”. “Não importam as caras dos cartazes, o importante é que tenham uma maior noção das necessidades que aquele povo tem e está a passar e partilhem coisas, como as lonas que iam seguramente para armazéns e ali fi cariam até se deteriorarem”, refere. Os armazéns da associação humanitária estão também de portas abertas para receber o material, em Fiães, Feira.

A parte dos contactos com os partidos, e também alguma recolha, está a ser tratada pela agência de comunicação Inflyence, de Matosinhos. “Se conseguirmos recolher as lonas das últimas eleições em boas condições, podemos mitigar a situação de muitas famílias”, adianta Carlos Sousa, director-geral da Inflyence. A palavra foi passando e, neste momento, já estão assegurados “uns milhares de metros quadrados” de telas com imagens e slogans políticos.

O destino que os partidos (não) dão

Para onde vai o material de campanha? Qual o destino dos cartazes usados nas campanhas eleitorais depois da contagem dos votos e dos holofotes se apagarem? As respostas não são imediatas, nem lineares. Segundo a lei de financiamento dos partidos, os objectos usados pelos partidos – da caneta à luva de cozinha, ao outdoor gigante – não podem ser usados em campanhas posteriores. Cada concelhia tem os seus planos, as suas estratégias e “luz verde” para recolher o material e dar-lhe a utilidade que bem entender – se bem que muitos outdoors são guardados sem qualquer utilidade. No PSD, por exemplo, os cartazes da estrutura nuclear do partido estão guardados em armazéns. O PS não segue o rasto a cada cartaz que os seus candidatos mandam produzir e adianta que o destino é definido candidatura a candidatura. E há candidatos que são abordados por associações, de vários áreas de intervenção, que vêem nas telas dos outdoors outras funcionalidades que não políticas, nomeadamente a impermeabilização de solos.

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publicado às 11:26



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Compilação e análise de imagens das Campanhas Portuguesas (e não só). Cartazes, folhetos e materiais digitais (e outros). O melhor e o pior. Os verdadeiros e não só.

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